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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Docentes e estudantes comemoram renúncia do reitor da Unir

Data: 23/11/2011

Os docentes e professores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) comemoraram a notícia do pedido de renúncia de Januário Amaral, reitor da instituição, encaminhado nesta quarta-feira (23) ao Ministério da Educação. “Isso representa a vitória da ética sobre a corrupção”, comentou o professor Jorge Coimbra, 1º vice-presidente da Regional Norte I do ANDES-SN.

Em nota o Ministério da Educação (MEC) informa que “Januário Amaral tomou a decisão de renunciar ao constatar a falta de condições para conduzir a universidade, em razão da série de denúncias de malversação e desvio de recursos que envolvem a Fundação Rio Madeira (Riomar), que serve de apoio à Unir.”

Segundo avaliação do diretor do ANDES-SN, novos processos de irregularidades, improbidade e desvio de verbas, tanto na Unir quanto na Riomar, devem surgir com o aprofundamento das investigações.

O MEC informa que a exoneração deve ser confirmada pelo Palácio do Planalto e publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias. O cargo de Januário Amaral deve ser ocupado temporariamente pela vice-reitora Maria Cristina Victorino de França que, num prazo de 60 dias, deve convocar eleições para a escolha de um novo reitor.

“Esperamos que a autonomia e os espaços democráticos da universidade sejam respeitados e que não haja nenhuma intervenção federal, por exemplo com a designação de um reitor pro tempore”, observa Coimbra.

Com a saída de Januário Amaral, os docentes e estudantes, em greve há mais de dois meses, se reúnem para definir os rumos do movimento. Nesta tarde, realizam carreata de comemoração pela cidade de Porto Velho. Na manhã de quinta-feira (24), será realizada uma assembleia do Comando de Greve ampliado, no campus de Porto Velho.

A expectativa, segundo Coimbra, é que a situação aos poucos se normalize. “Agora a universidade reencontra seu caminho institucional”, comentou.

De acordo com o MEC, a comissão de auditores desta pasta e da Corregedoria Geral da União (CGU) deve entregar o relatório da situação da universidade nos próximos dias. O prazo oficial expiraria nesta quinta-feira, 24, mas a comissão pediu mais dez dias para a conclusão.

Caso ganha destaque nacional
A saída do reitor se deu depois de que uma série de denúncias envolvendo sua gestão na Universidade ganhou notoriedade na mídia nacional, tendo o auge da sua repercussão com a veiculação de uma vídeo-reportagem de mais de sete minutos no programa Fantástico, da tevê Rede Globo, no último domingo (20).

No entanto, o site do ANDES-SN, a imprensa local e o blog do Comando de Greve da Unir desde setembro denunciam a situação precária da instituição. Em outubro, um dossiê contento produzido por professores e estudantes, contendo diversas como fraude em concurso e mau uso de verba pública, foi encaminhado ao MEC em audiência realizada em Brasília.

Após a oficialização da investigação das denúncias, com a constituição de uma comissão de sindicância pelo MEC e CGU, a situação na universidade se agravou com a prisão arbitrária de professor e alunos e ainda ameaças de morte a vários integrantes do movimento grevista.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Alunos e professores da Universidade Federal de Rondônia ameaçados de morte

Caríssimos,
 
Quando achamos que a falta de bom senso e a impunidade chegaram a seu ápice, somos surpreendidos por mais descalabros.
Há pouco mais de 15 dias enviei a algumas pessoas um email (reproduzido abaixo) rogando por apoio e buscando dar visibilidade a crise que se instaurou na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Supus, ingenuamente, que aos poucos o Governo brasileiro e as instituições responsáveis (Polícia Federal, Ministério Público, Ministério da Educação, etc.) fossem, de alguma forma, se sensibilizar pelo que tem ocorrido em terras rondonienses. Ledo engano.
Nestes 15 dias nada mudou para melhor. Ao contrário, o pânico se instalou e se intensificou. Prova disso está em dois fatos ocorridos hoje.
Nesta tarde uma aluna de psicologia, membro do comando de greve dos estudantes, foi surpreendida na porta de sua casa por homens encapuzados que lhe em breve ela morreria.
Além disso, um bilhete anônimo foi colocado sob a porta de diversos laboratórios e departamentos com os dizeres:

“NÃO ADIANTA CANTAR VITÓRIA ANTES DO TEMPO. MUITA ÁGUA AINDA PODE ROLAR... SEGUE ALGUNS NOMES QUE PODEM DESCER NA ENCHENTE DO RIO”,

Segue-se uma relação de nomes de alunos e professores (entre os quais, eu).

Aos que não estão acostumados com os jargões amazônicos, a menção a “descer na enchente do rio”, ao qual o bilhete se refere, é uma referência clara ao hábito de se desovar cadáveres nos rios da região.
Peço, portanto, aos colegas, que nos ajudem a dar visibilidade a esses episódios brutais. Os ânimos aqui andam acirrados e alguns alunos e professores têm sido seguidos e/ou ameaçados (alguns, inclusive, têm dormido em casas de amigos ou parentes, com medo do que possa ocorrer). Aos que tiverem contatos em OnGs, entidades acadêmicas ou no Governo, ou mesmo os que queiram manifestar seu apoio publicamente por meio de moções, toda a ajuda é bem-vinda. Por favor, reproduzam esses emails a suas respectivas listas.
Não peço a nenhuma entidade que se manifeste contra ou a favor do movimento grevista, mas a favor da transparência nas investigações e no comprometimento do Governo Brasileiro de que a segurança das pessoas que vem sendo ameaçadas seja garantida.
Como sempre, agradeço pela ajuda.

Um cordial abraço,


Prof. Estêvão Rafael Fernandes
Chefe do Departamento de C. Sociais
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia (CENHPRE/UNIR)
Porto Velho, RO, Brasil

Foto retirada de www.dceunir.blogspot.com