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quinta-feira, 1 de março de 2012

Justiça proíbe “protestos do PSOL”. Mas autoriza aumento da tarifa!

Uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro proibiu protestos que vinham sendo organizados contra o aumento da tarifa das barcas que fazem o trajeto entre a cidade de Niterói e do Rio de Janeiro. Conforme notícia do Jornal do Brasil (que reproduzimos abaixo), o juiz Mauro Nicolau Júnior proibiu os protestos por considerar que causariam prejuízos aos usuários. O juiz identificou o PSOL como autor das manifestações e instituiu uma multa de R$5 milhões caso o partido descumpra a decisão.
Porém, sobre o abusivo aumento das barcas, que agora passam a custar R$4,50, o juiz não se pronunciou. Essa decisão é mais uma mostra do crescente processo de criminalização das lutas sociais que vem acontecendo no Brasil, com proibição de greves, multas sobre sindicatos, etc.
O PSOL tem orgulho de estar organizando, junto com entidades dos movimentos sociais, manifestações em todo o Brasil contra o aumento do custo de vida, que tem as tarifas de transporte como símbolo importante.

http://psolcuritiba.wordpress.com/2012/02/29/justica-proibe-protestos-do-psol-mas-autoriza-aumento-da-tarifa/

Justiça proíbe PSOL de protestar contra o aumento das barcas

Jorge Lourenço
A 48ª Vara Cível do Rio de Janeiro concedeu liminar à Barcas S.A. proibindo o PSOL de protestar contra o aumento de tarifa programado para a próxima quinta-feira (01/03). De acordo com o juiz responsável pela decisão, Mauro Nicolau Júnior, a manifestação incitada pelo partido poderia colocar em risco a integridade física dos passageiros e funcionários das barcas. 
Se a decisão não for cumprida, o PSOL pode receber multa de R$ 5 milhões. O professor, Henrique Campos Monnerat, detido por incitar um protesto contra a Barcas S.A., também é réu no processo. 


sábado, 14 de janeiro de 2012

PSOL repudia violência policial e apóia a luta dos estudantes do Piauí e Espírito Santo

Piauí1b

Todos os dias as elites e seus governos tentam jogar nas cotas dos trabalhadores os custos da crise econômica mundial.
Um a dessas ações é a constante majoração dos preços dos serviços públicos essenciais. Dentre eles, pelo impacto que provoca nas finanças das camadas mais pobres da população, o valor das tarifas do transporte coletivo merece especial atenção.
Em 2011 não foram poucas as vezes que estudantes e trabalhadores foram às ruas de várias capitais reivindicando a anulação de aumentos abusivos nas tarifas dos transportes coletivos. Nesta semana os estudantes de Teresina e Vitória voltaram às ruas para impedir novos e revoltantes aumentos.
A postura dos governos estaduais e municipais tem sido de intransigência e truculência. A repressão policial em Teresina é revoltante e merece pronto repúdio de todos. Cidadãos estão sendo presos, agredidos e processados pelo único motivo de lutar contra a crise econômica.
O PSOL se solidariza com a luta justa dos estudantes destas duas cidades. Nossos militantes estarão somando forças com as suas reivindicações e presentes em cada manifestação que for convocada.
O PSOL repudia a violência policial e exige a imediata libertação de todos os estudantes e trabalhadores presos pela Polícia Militar. E exige a punição exemplar de todos os policiais envolvidos em abusos contra os manifestantes.
O PSOL exige imediata abertura de negociação com os manifestantes e revogação dos aumentos concedidos nas duas capitais citadas.
Não aceitaremos que a conta da crise econômica mundial seja repassada para os trabalhadores e suas famílias. Enquanto metade do Orçamento Federal é esterilizada no pagamento da dívida pública, fazendo a alegria das famílias de banqueiros e agiotas, milhões de brasileiros estão desempregados, morando em habitações precárias e sendo afetadas pelas chuvas deste início de ano.
O movimento de indignação que cresce em todo mundo inspira a luta dos estudantes de Teresina e Vitória. E esta luta reforça a vontade de mudança social no Brasil e no mundo.

Executiva Nacional do PSOL

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Reflexão sobre mais um aumento da passagem de ônibus na grande BH

   Fim de ano em Belo Horizonte, e mais uma vez os habitantes da Grande B H se deparam com um fato que, infelizmente, já deixou de ser surpreendente: o aumento da tarifa dos ônibus da cidade. Como era de se esperar, o efeito é em cascata, o preço dos ônibus metropolitanos aumentará na semana seguinte, como anunciado pelo DER. Interessante, a administração do transporte metropolitano e de cada cidade da grande BH é feita por órgãos diferentes, causando ineficiência, precariedade e outros transtornos a população, mas quando se trata do aumento da tarifa, o DER e a BHTRANS são quase síncronos, e com certeza, eficientes.
    Em uma mistura de revolta e resignação, a população aceita sem muito alarde o aumento da tarifa de R$2,45 para R$2,65. Desde 2003, a passagem aumentou em R$ 1,45. Mesmo que os tempos fossem outros, mais politizados, a reação é esperada, pois a prefeitura escolhe o momento estratégico para realizar o aumento. No fim do ano, os ônibus operam em escala reduzida, há uma grande diminuição no uso diário e regular do transporte público, os estudantes estão de férias, e uma parte dos trabalhadores também. É de se imaginar que a reação dos usuários seria muito mais extremada se o preço subisse no período de aulas, por exemplo. 
    Ao novamente aumentar o preço, a prefeitura reforça a lógica excludente e privada do transporte da cidade. Este não se destina a seu povo, e sim as empresas. Uma parcela significativa da população belo-horizontina não tem condições de desembolsar R$ 5,30 para ter acesso a espaços de lazer, cultura, saúde, educação. Em pior situação estão os habitantes de municípios periféricos da Região Metropolitana, como Ribeirão das Neves, cidade com péssimos indicadores sociais, na qual precisa desembolsar mais de 7 reais se deseja ir a Belo Horizonte. O aumento do preço da passagem restringe cada vez mais os espaços da população selecionando seus propósitos nas viagens, reduzidos cada vez mais à lógica do capital e trabalho. Desempregados, subempregados e todos os trabalhadores de empregos precarizados – os marginalizados, em suma – todos eles se vêem continuamente enclausurados, alijados cada vez mais do direito de ir e vir.
     A recente aprovação pela câmara municipal do meio-passe em BH é outro ponto controverso, pois os recursos para sua implementação, bem como o público beneficiário da proposta, foram propositalmente obscurecidos no projeto de lei para dar a margem a manobras das empresas de ônibus em BH. É bem possível que o meio-passe atinja poucos estudantes e seja custeado por um futuro aumento de passagem. Além disso, a “marginalização espacial” que o preço do ônibus provoca não seria resolvida com o meio-passe, os excluídos permaneceriam do lado de fora.  O transporte urbano é demasiado essencial para a prática da cidadania, para a troca de idéias, para o desenvolvimento do ser humano, para que seja destinado a apenas uma parcela da população, como quer a lógica privada. É necessário que pelo menos seja subsidiado pelo governo. É preciso que o acesso ao transporte seja universal. Exemplos e idéias para isso não faltam, mesmo no Brasil. O movimento Passe-Livre de Florianópolis, um dos mais atuantes do país, elaborou, com base nas experiências de Osasco e Diadema, um projeto de “tarifa zero” no transporte público. A gratuidade universal do transporte público seria financiada por um IPTU progressivo – ou seja, paga mais imposto aquele que tiver a propriedade mais valorizada – a argumentação central do projeto é a mudança da lógica do transporte do “paga quem usa” o transporte - que seriam os estudantes e trabalhadores - para o “paga quem se beneficia” do transporte desses usuários: as empresas, o governo e a sociedade em geral.  O projeto não foi aprovado, mas a sua própria existência já é uma esperança.
     É necessário que a população da Grande BH se prontifique a realizar o debate cada vez mais urgente do transporte e mobilidade urbana. Pois, à medida que o tempo passa, as soluções paliativas vão se tornando cada vez mais ineficientes. Quem pode recorrer ao automóvel o faz. Belo Horizonte está sendo sufocada pela lógica do transporte privado e individual e os engarrafamentos são cada vez mais extensos e freqüentes. O oligopólio que controla as linhas de ônibus de BH (são sete famílias) já conseguiu barrar a implementação do metrô na cidade, pelo menos no médio prazo. E, com seu poder econômico ou influência política, compraram o silêncio e a conivência de sucessivas prefeituras. Mas silenciar o debate tem sido cada vez mais difícil na medida em que o caos do transporte se intensifica. É dever de todos, mas principalmente dos órgãos de mídia e comunicação levar o debate adiante, sob pena de uma futura paralisia de toda Região Metropolitana.

Por André Veloso, militante PSOL B.H