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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Chico Alencar denuncia as máfias das milícias no Brasil e solidariza-se com Marcelo Freixo

No discurso desta quarta-feira, 1º de novembro, o líder do PSOL, deputado Chico Alencar, falou, com indignação, sobre o poder paralelo das milícias que crescem no Brasil. Esta máfia está ‘obrigando’ o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) a deixar o país e se refugiar na Europa com a família.
“Ele deverá sair do país a convite da Anistia Internacional, para, como nos tempos da ditadura denunciar lá fora os desmandos e a omissão do Estado”, disse Chico Alencar.
Leia a íntegra do discurso do líder na Câmara.
“Presidente Imbassahy, colegas Deputados, servidores, todos que acompanham esta sessão, às vésperas do Dia de Finados, temo que estejamos começando a presenciar o assassinato, a morte da República no Brasil. O poder paralelo das máfias cresce no País. As milícias, que são máfias — e o termo mais correto é este: máfia — , estão já presentes em 12 Estados da Federação.
Elas constituem, muito mais do que o narcotráfico armado, um verdadeiro poder paralelo. As máfias milicianas — particularmente poderosas no meu Estado, o Rio de Janeiro — são constituídas por policiais e ex-policiais civis e militares, por bombeiros e ex-bombeiros que não honram o serviço público que conquistaram, fundamental para a população, e que se inspiraram, talvez, nas más práticas de autoridades públicas. Essas milícias formam verdadeiros bandos agressivos com controle territorial sobre diversas áreas, oprimindo as populações locais de forma a mais violenta e exibindo um poderio armado inequívoco — e muitas dessas armas pertencentes ao aparato estatal. Além disso tudo, fazem negócios, desde sinal de TV por assinatura — clandestino, é claro — à venda de gás e do transporte dito alternativo.
Milícias são máfias que matam. Milícias matam: a juíza Patrícia Amorim, como vimos há pouco no Rio de Janeiro, foi um triste exemplo disso; milícias constrangem a população; milícias têm vínculos como poder, elegem Deputados e Vereadores. O meu colega Miro Teixeira, de longa e correta tradição democrática no Rio de Janeiro, sabe disso. Esse poder tem crescido e não tem a inofensividade de um centro social do clientelismo. É simum poder despótico violento.
Há muitos ameaçados pelas milícias no Brasil e no Rio de Janeiro em particular, a começar pelas populações que vivem sob aquele poder, um poder também de currais eleitorais onde muitos candidatos majoritários — como foi o caso do atual Governador do Estado e numa certa época do atual Prefeito da Capital — comparecem e se beneficiam dessas alianças tão bonitinhas e cantantes no período eleitoral. Depois, quando se expõe a podridão, a violência nefasta e fascista desses grupos, ninguém mais os defende objetivamente, no discurso, porque, na prática, há um acumpliciamento.